sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Texto de Alexandre Atiê

O monstro Alexandre Atiê, professor/personal/mestre/preparador físico
Vamos falar sobre “tipos de pessoas” ao ver de aprendizado motor, sim coleguinha, você aprende também na academia em que se exercita, se seu professor está preocupado em sua postura e saúde, e não na tela do celular dele ou em ficar dando prosa pra menininha de 18 anos.

Certo que, sabemos que vícios posturais são trazidos do dia-a-dia, ombros relaxados, costas arqueadas, colunas tortas, bundas arrebitadas e joelhos tortos, talvez causados pelo trabalho e/ou estudos, ou mesmo no momento de descanso, sentado no sofá vendo seu futebolzinho de quarta à noite, ou a novela mexicana da tarde.
Pois bem, você resolveu sair do sedentarismo e #partiuacademia, pra ver se dava um jeito na barriguinha de chopp, ou nas celulites. Chegou na CADIMIA, conheceu o ambiente, gostou e matriculou-se, porém, ao longo de alguns meses, houve troca de professores, e o seu “querido teacher bff” vulgo “Profº Whats App”, foi trocado por outro, que diferente, presta atenção em todos os erros posturais e individualiza cada aluno, e logo, trata de por a mão na massa e posicionar de forma correta as execuções dos alunos, pra que não haja, futuros problemas, como uma possível Síndrome do Impacto do Ombro, ou mesmo uma Hérnia Discal.
Como um Professor de Educação Física irá fazer isso?!

1º O Professor demonstra o exercício executando de forma perfeita.
Mas o aluno não entendeu “VISUALMENTE”, daí partimos pra segunda abordagem.

2º Repetir em voz alta com o aluno executando o exercício e o corrigindo gradualmente.

Mas o aluno não entendeu “ESCUTANDO”, daí partimos pra terceira abordagem.

3º Com o aluno executando o exercício, “TOCA-SE” cada membro que esteja relaxado e que esteja tendo algum erro, colocando-o na posição adequada.

Essa última abordagem funciona de forma ainda mais clara e o aluno irá entender o que terá que ser feito, e dificilmente irá cometer alguns erros bobos novamente.

Segundo a Programação Neurolinguística, somos refinados em três tipos de indivíduos:

O “VISUAL”, que consegue aprender e memorizar com facilidade, e necessita de apenas pequenas notas e imagens, para fixar o novo conhecimento.

O “AUDITIVO”, que necessita de falar ou escutar em bom tom, tudo aquilo que é ensinado e repassado à ele.

E finalmente...

O “CINESTÉSICO” que tem a ver com a percepção dos movimentos corporais ou musculares. Uma pessoa cinestésica centra suas experiências nas demonstrações físicas, por exemplo, ao se comunicarem precisam tocar o seu ouvinte. O cinestésico-corporal, processa melhor a informação através do movimento e também do toque, e aprende melhor movimentando-se, tocando ou mexendo nas coisas.

Então veja bem, a tarefa primordial de seu professor na CADIMIA, é não deixar você se foder executando exercícios simples, como um Avanço, ou no Levantamento Terra, no Supino, e no seu lindo AGACHAMENTO pra te deixar com o #bumbumnanuca, é OBRIGAÇÃO CORRIGIR A POSTURA, E A PORRA DO TOQUE SE VÊ NECESSÁRIO.

Antes de falar a GRANDE BOSTA que “o Professor é do tipo que passa a mão nas aluninhas”, pergunta pra ele o porque ele toca tanto OS alunos.
O erro não está em nós que trabalhamos de forma correta e segura pra vocês, são vocês que estão acostumados com um bando de Zé Ruela que na época da faculdade enchia a cara durante as aulas, e rezava pra passarem a cola da prova na hora do vamo-vê, e que agora deixam vocês mesmos executarem exercícios de forma tosca, bizarra e que logo em poucos meses, sentiram as primeiras pontadas nas suas lombares, joelhos e ombros, por que tão marcando esqueminha pelo Whats, ao invés de corrigir a porra da retroversão no final do seu lindo agachamento.

Quem ama essa profissão, faz o melhor possível, pra além de te deixar FORTE ou SARADA, te deixar com a saúde em perfeita sincronia com sua estética, e não te deixar ir ao ORTOPEDISTA, porque tá com dor na lombar e o mesmo falar que MUSCULAÇÃO FAZ MAL.

Procure profissionais decentes e competentes no que faz, não naquele que te passa a mão na cabeça e te deixa fazer a merda que quer, por que viu a RETARDADA DA BLOGUEIRA FITNESS FAZENDO.

Texto de Alexandre Atiê
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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Agachamento no smith: cuidado extra

O agachamento no smith (multi) ou agachamento guiado é um exercício que exige muita técnica pra ser executado. O risco de lesão é muito alto se não for feito com uma supervisão adequada ou se orientado da forma errada.

Isso acontece porque são as articulações do corpo que precisam se adaptar à trajetória da barra, delimitada pelas guias do aparelho, diferentemente do seu primo, o agachamento livre, onde as medidas antropométricas se adaptam sem maiores problemas porque a barra fica livre, movimentando-se de acordo com as adaptações de ângulos de cada articulação envolvida nesse movimento básico.

Já vi muito entusiasta que acha que é professor de musculação orientando o aluno a colocar os pés à frente da barra, bem à frente aliás. Já vi até orientarem a encostar a ponta dos pés na parede "pra dar mais apoio" quando o smith fica próximo à parede. Meus olhos chegam a doer com tamanho absurdo e o sentimento de frustração com a profissão aflora. São "professores" propagando lesões.

O que acontece é que ao colocar os pés à frente da barra, há uma grande pressão sobre a coluna cervical na ânsia de não se perder o equilíbrio, porque com os pés mais à frente, o centro de gravidade do corpo fica muito afastado dos seus pés).

Essa pressão irá aumentar a compressão dos discos intervertebrais da coluna cervical, da coluna toráxica e da coluna lombar, aumentando significativamente o risco de lesões nessas regiões.


Outro problema, por incrível que possa parecer, é usar ou não usar a espuma na barra no agachamento. Os mais hardcores vão dizer que é frescura, que gostam de sentir o gelado da barra, que usar a espuma é coisa de mulherzinha, etc. Mas se você não usar essa espuma, há também o risco de compressão do plexo braquial (ramo nervoso que sai da região cervical e inerva os membros superiores), podendo causar desconforto, dor, dormência ou formigamento nos braços.

Meu conselho é: faça agachamento livre. Se você quer variar seu agachamento no smith, tente, sem carga alguma, as variações das posições dos seus pés e veja qual se adapta melhor a você. Não tenha pressa. 

Peça, obviamente, orientação pro seu professor de musculação. Se ele colocar seus pés muito á frente, descarte-o ... não o exercício, mas o professor. Ele tem potencial pra te causar lesões. Em alguns casos, o melhor a fazer é segregar o professor no latão do lixo.

Stay strong!

Betão

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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A verdade, os erros e os acertos do aeróbio em jejum (fonte: site Dicas de Musculação)




Muito tem se falado, por anos, do famoso aeróbio em jejum. Quer ver um cara realmente focado, hardcore? Com certeza ele posta foto no instagram do seu aeróbio em jejum: foto do horário que levanta, do tempo de esteira e do suor no rosto. Se faz antes das 6 da manhã, então, tira foto da rua escura ou vazia. Verdadeiramente, um exemplo a ser seguido. Mas por todos? Será que todos podemos fazer aeróbio em jejum? Fazendo qualquer tipo de dieta? Vamos ver ...

"A gordura queima na fogueira dos carboidratos"

A primeira vez que li essa frase foi nos anos 90. Hoje em dia é muito usada os cursos de Nutrição, na aula de Bioquímica. E pode ser a chave pra responder as perguntas feitas na introdução desse artigo. Será que todas as pessoas que fazem o aej estão se beneficiando dele?

Antes de mais nada, vamos entrar em consenso de que treinar com pesos em jejum é ruim: você perde massa magra, piora sua qualidade metabólica, piora sua resistência periférica a insulina, pode sofrer tonturas no treino, pode ter que diminuir as cargas na academia, dentre outros fatores menos relevantes. Isso tudo foi definido por uma pesquisadora chamada Karen Proyer, em uma pesquisa bem séria a respeito desse tema.

Ela concluiu que "treinar" em jejum é muito prejudicial. Então, qualquer que seja o "treino" não deve ser feito em jejum. Isso inclui treino anaeróbio (musculação) e treino aeróbio (cardio). Mas e se não fosse caracterizado o "treino"?`

Aí entra o "pulo do gato". Aeróbio em jejum não pode ser um treino. Você não pode, por exemplo, fazer um HIIT em jejum ou seguir protocolos muito intensos. O aeróbio em jejum deve ser feito em baixíssima intensidade. Mas quão baixo? Abaixo de 60% de sua capacidade de consumo máximo de oxigênio. Nessas condições, não é um treinamento aeróbico ... mas um "ritmo de atividade aeróbica".

Mas funcionaria pra perder peso essa atividade de baixíssima intensidade? Segundo o estudo da dra. Karen, sim! As pessoas mostraram uma diminuição significativa da gordura corporal. Mas não diretamente, pela atividade em si. Então ... porque?
Aqui está o “x” da questão: Porque o aej aumentava a oxidação de ácido graxo na fase de repouso quando entramos com o carboidrato.

De novo : "A gordura queima na fogueira dos carboidratos"


Ou seja: você precisa de carboidrato pra queimar gordura, através da sua mitocôndria (sistema enzimático). Seu importante desempenho bioquímico, no fornecimento de energia advindo do processo de respiração celular, envolve um complexo sistema enzimático que se estende desde a oxidação de ácidos graxos, ciclo de Krebs e a cadeia respiratória.

No aeróbio em jejum, você não dá ao corpo nenhum tipo de sinalizador para que ele seja modificado, por não cria nenhum tipo de estímulo (lembre-se que estamos falando de atividade de baixíssima intensidade). Mas você acaba criando um tipo de "dificuldade" da função do seu sistema enzimático, forçando-a a produzir enzimas que irão oxidar a gordura, esperando pelo carboidrato como inicializador desse processo. Isso é uma maneira fisiológica de criar um estímulo enzimático que, bioquimicamente, queime mais gordura no repouso. É isso o que o aeróbio em jejum faz. Simplesmente isso.

Então, agora, vem a pergunta mais importante do texto: qualquer um pode tirar proveito do aeróbio em jejum? Ou há algum grupo que estará jogando tempo de massa muscular fora com o aeróbio em jejum?

Novamente, vamos recorrer a frase dita na aula de Bioquímica pra responder a essa questão: "A gordura queima na fogueira dos carboidratos"

Algumas pessoas, na ânsia de emagrecer rápido e sem orientação adequada, colocam o aeróbio em jejum em dietas zero carbo. Pra eles, é a evidência máxima que são seres desprovidos de sentimentos e cuja determinação está acima da maioria das pessoas. Mas pra quem entendeu esse texto, essa demonstração de superioridade é a prova que não sabem o que estão fazendo.

Ora, se o aeróbio em jejum ajuda a liberar uma enzima que vai degradar gordura, em repouso, quando você ingere carboidrato ... porque diabos você tirou o carboidrato da sua dieta?

Talvez essa seja a grande questão em dietas/treinos feitos sem a devida orientação ou quando feita por profissionais insensatos. Você perde peso, mas perdeu em massa magra e não em gordura. Infelizmente, está perdendo peso e tempo. Peso você acaba recuperando mas e o tempo perdido?

O aeróbio em jejum pode e deve ser usado, com maestria, em alunos que possuem resistência periférica a insulina ruim (alta). Essas pessoas engordam quando comem carboidratos e perdem massa muscular quando seus hidratos de carbono estão restritos. É um desastre! A pessoa fica parecendo uma sanfona sempre que muda a estratégia alimentar.
Então o que fazer? Deixá-la engordar ou perder massa magra? Nenhum dos dois. Aeróbio em jejum!!!

Como vimos, com a introdução de aerobiose em jejum sua capacidade enzimática aumenta, a resistência periférica à insulina cai ... resolvido! Essa pessoas poderá trenar pois está suprida de carboidratos e esses mesmos carboidratos, quando ingeridos, ajudarão a queimar a gordura.

O protocolo de aeróbio em jejum é muito seguro mas deve ser usado com inteligência. De novo: não adianta você fazer aej porque fulano faz ou viu beltrano fazer. Há uma linha muito tênue entre a eficiência e a moda. Um histórico do aluno, tanto nutricional quando físico deve ser avaliado por profissionais competentes. Há muitos entusiastas e “coachs” no mundo real e no mundo virtual. Deve-se ter muito cuidado a quem entregamos nossa saúde e compartilhamos nossos sonhos. Um profissional desqualificado pode colocar o trabalho de meses no lixo. É muito hardcore acordar cedo e ir pra academia de manhã, em jejum ... mas é mais hardcore ainda, nos dias de hoje, saber o que se está fazendo.

Stay strong!

Betão

Artigo original: clique aqui
Autor: Betão Marcatto

 

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Sou iniciante e meu professor só me coloca em aparelhos. Está correto?


Se você se enquadra nessa situação, muito provavelmente, seu professor defende que aparelhos são mais seguros, que são guiados e que a chance de você se lesionar é menor. Ledo engano!

O uso abusivo de aparelhos de musculação não é uma estratégia adequada para um iniciante. Eu também já presenciei esse discurso várias e várias vezes. O professor, todo serelepe, ao ver um aluno novo, já o coloca no aparelho de supino (deitado ou vertical) se for um menino e na cadeira extensora se for uma menina.

Então vamos ver qual é a função da máquina? Ele possui UMA única função: ISOLAR um grupo muscular em um determinado exercício. Por isso ela possui várias partes móveis. Pra você poder alterar a altura, espaçamento, etc. Por isso ela é cheia de furinhos nas guias. 

E qual o problema disso para um iniciante?

No iniciante, a sua capacidade de gerar força está muito abaixo do padrão e isolar um músculo, nesse caso, pode gerar uma lesão séria.
Vamos pegar o exemplo da cadeira extensora pra meninas: o objetivo do aparelho é isolar o trabalho dos quadríceps. Quando isolamos um grupo, significa mais estresse sobre esse grupo e sobre a articulação envolvida, o que pode ocasionar lesão mais rapidamente em pessoas não adaptadas ao treinamento.

Aparelhos podem parecer uma opção segura pra iniciantes, mas deve-se tomar muito cuidado com esse pequeno detalhe!

Stay strong!

Betão

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Desmentindo o mito das divisões do peitoral no treino com pesos


Esqueça tudo o que você sabe sobre divisão do treino de peitoral e aprenda o que é realmente verdade sobre as porções do peito e o treino de musculação.

“Salve, aluno. Hoje é dia de treinar peito. Vou te passar o supino inclinado pra você trabalhar a parte superior do peitoral, o supino reto pra você trabalhar a parte medial e o declinado pra você intensificar o trabalho na parte inferior do peito. Pra fechar, você vai fazer o peck deck pra trabalhar o miolo do peitoral. Dessa forma, trabalhamos todas as porções do seu peito.”

Quantas e quantas vezes essa frase foi pronunciada em uma academia de musculação. O aluno, atento, escuta e fica satisfeito, afinal, seu professor, a quem ele confiou a árdua tarefa de montar seu treino, acaba de lhe dar uma explicação plausível, interessante e totalmente eficaz a respeito de um dos músculos mais treinados em uma academia. E o conceito de isolar o peitoral está correto, com as angulações, certo?

ERRADO!

Seria, realmente, algo muito produtivo se pudéssemos dividir o trabalho realizado pelo peitoral em 3 ou 4 porções, como o professor acima explicou: parte superior, medial, inferior e o tal do “miolo”. Um professor um pouco mais técnico poderia usar outro palavreado, como clavicular para a parte superior e esternal para o “miolo”, afinal quem tem miolo é pão. Mas, na prática, usar os termos corretos não ajudaria muito. Uma boa base de Cinesiologia, no entanto, sim, colocaria essa teoria sem sentido no lixo e desmistificaria algo que ninguém se atreve a comentar no mundo da maromba: NÃO CONSEGUIMOS TREINAR O PEITO SEPARADAMENTE, EM SUAS PORÇÕES.

É isso mesmo que você acabou de ler: supino inclinado não isola o treinamento na parte clavicular (superior), o supino declinado ou mergulho nas paralelas não isola o treinamento na parte abdominal (inferior) e o peck deck não isola o treinamento na parte esternocostal (vulgarmente chamada de miolo). E tudo isso pode ser mostrado de uma forma simples e muito interessante, como veremos a seguir.

Antes de mais nada é necessário entendermos o que são músculos, inserções, origens, ações musculares e outros termos inerentes a Cinesiologia e sua incidência nas questões relativas ao conhecimento de causa e efeito nos movimentos humanos. A Cinesiologia é uma área de estudo que tem como objetivo compreender os fundamentos do movimento humano, analisando, criteriosamente, suas estruturas anatômicas, em especial, os ossos e músculos. O termo tem origem no grego e significa “estudo do movimento”.

Dito isso, fica fácil entender que o conhecimento dessa matéria por parte dos professores que ficam na academia de musculação é essencial e pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso no treinamento individual. Também será fácil entender, no final do artigo, que um professor que disserta as palavras do início do texto não merece o título de professor, já que os primeiros estudos sobre o movimento humano não são recentes e os primeiros registros sobre o assunto datam de 384-322 A.C. nas obras De partibus animalium (partes dos animais); De motu animalium (o movimento dos animais) e De incessu animalium (progressão dos animais), de Aristóteles, onde ele descreve a importância de conhecer a ação dos músculos. Ou seja: está aí há muito tempo e já deveria ser algo conhecido.

Vamos entender, então, definitivamente, alguns pontos necessários para colocar um ponto final em uma das maiores falácias do mundo da musculação: o mito de se treinar as porções do peito separadamente, apenas alterando a angulação de um acessório (um banco). Depois de ler o artigo por completo, você será capaz de montar seu treino de peitoral maior de forma eficiente e com base cinesiológica.

O peitoral maior tem sua origem na borda ante­rior da clavícula, esterno e cartilagens das seis primei­ras costelas. Vamos convencionar que a origem (um tendão, na verdade) é a extremidade do músculo presa à peça óssea que não se desloca, sendo a parte fixa e não passível de movimento. Sua inserção, a outra extremidade, acontece na borda externa da goteira bicipital (seu tendão é plano) do úmero. A inserção (também um tendão) é a extremidade presa à peça óssea que se desloca, móvel.


Temos, então, o conjunto de estruturas que ligam o músculo peitoral maior aos ossos, os tendões, através de sua origem e sua inserção. Ora, se a origem é a parte fixa e a inserção é a parte móvel, essa última é responsável pelos movimentos de encurtamento e alongamento, ou ainda, da execução das fases concêntrica e excêntrica. Como a inserção está localizada na goteira bicipital do úmero, é ele, o úmero, o responsável pela ação muscular do peitoral. No linguajar da maioria dos professores seria: “você mexe seu peitoral quando mexe o seu braço”. 


Mas entendamos que a inserção está em apenas uma estrutura, convergindo para um único ponto. Se está em apenas um ponto, mudar a angulação do banco não influenciará em nada no movimento do peitoral maior. Para que isso aconteça, devemos imaginar, hipoteticamente, que existam 2 inserções em pontos distintos e não poderiam estar sequer na mesma peça óssea, o úmero. Para provocar movimentos distintos e isolados, cada inserção deveria estar localizada em um osso diferente (imaginando um ser com peitoral maior com morfologia mutante, ou pelo menos, diferente da nossa).

Mas, então, nada muda com a variação de angulação do banco no treino de peito?”. Não foi isso que eu escrevi. Não disse que nada muda. DISSE QUE NÃO ISOLAMOS! Mas vamos entender o que realmente muda.

Quanto à ação muscular do músculo principal, o peitoral, a angulação muda sua ativação muscular por conta da ação maior ou menor dos músculos sinergistas (participação dos músculos auxiliares do movimento), que irão atuar de forma diferente, de acordo com a inclinação. Isso não significa, como já vimos, que a angulação isole uma parte determinada do peitoral maior, ainda que seu livro de Guia dos Movimentos de Musculação tenha até feito um adendo da parte mais solicitada dos músculos peitorais de outra cor, destacada. Isso é besteira!

Outro equívoco é sobre a distância das mãos na barra e sobre o trajeto (descida da mesma). Se você entendeu como a ação muscular se dá, perceberá que descer a barra sobre a borda condrocostal (inferior) não solicita apenas a parte abdominal dos peitorais; descer a barra sobre o centro dos peitorais não solicita apenas a parte esternocostal e descer a barra sobre a incisura supra-esternal não solicita apenas a parte clavicular do músculo (superior). Além disso, mãos aproximadas não solicitam apenas a parte central dos peitorais assim como mãos mais afastadas não solicitam apenas a parte externa ou lateral dos peitorais. São mitos criados na academia de musculação em um passado longínquo que perduram até hoje.

Mas voltando, por exemplo, no supino inclinado, o deltoide anterior participa em maior parcela, no movimento, se comparado com o supino declinado. O mesmo ocorre, porém da maneira inversa, com o músculo tríceps, que atua mais no movimento declinado que no inclinado.

E no caso do peck deck, crucifixos e flexão-adução horizontal dos ombros em pé (vulgarmente chamado de cross over)? Há quase que um isolamento da ação do músculo peitoral, sem a participação dos tríceps ou deltoides, ainda que não haja isolamento da porção esternocostal. O que ocorre, nesse caso, é a participação do peitoral menor, localizado profundamente sob o peitoral maior, que atua como estabilizador da escápula além de projetá-la para frente.

Você já deve ter visto pessoas com a parte clavicular do peitoral mais desenvolvida ou mesmo algumas pessoas com a parte esternocostal deficiente (parece que tomou um tiro de calibre 12 no meio do peito). Isso é genético, morfológico e não há treino que mude essa situação. Não foi o supino inclinado que proporcionou isso ao camarada com o peitoral avantajado na parte superior e nem adianta fazer peck deck até a exaustão pra suprir a deficiência do segundo caso. Se fosse assim, não teríamos deficiências individuais e bastaria usar um exercício específico e pronto! Tudo resolvido!

Então, qual seria um treino sensato de peitoral, já que não consigo isolar as áreas antes mencionadas e trabalho o músculo peitoral por completo em qualquer situação? Minha sugestão é alternar o treino com flexões de braços (como supinos, fly, repulsões nas paralelas) e movimentos de flexão-adução dos ombros (como peck deck, crucifixos, cross over, etc). Como por exemplo:

1) Supino com barra
2) Crucifixo
3) Fly
4) Peck deck

Para um trabalho mais acentuado do peitoral e menos dos tríceps, como nos exercícios feitos nas paralelas, evite bloquear as articulações, ou seja, não estenda totalmente os cotovelos, pois uma parte da força estará destinada aos tríceps de forma mais acentuada. O mesmo conselho vale para os supinos, com halteres ou barras. Bloquear os cotovelos é muito eficiente se você estiver engajado em um treinamento de força, como um campeonato de supino como alvo, ou alguma prova específica de strongman.

Além disso, no mesmo treino , varie o estímulo proporcionado ao peitoral, alternando estímulos tensionais (mais carga e menos repetições) com estímulos metabólicos (menos carga e mais repetições). Dessa forma, você atinge todos os tipos de fibras que compõem o músculo peitoral e maximiza seu desenvolvimento. O exemplo acima ficaria nesse modelo:

1) Supino com barra: 4×4~6
2) Crucifixo: 4×12~15 (drop set)
3) Fly: 4×8~10
4) Peck deck: 4×15~20

Você pode estar se perguntando porque tantas pessoas estão equivocadas em relação a esse assunto. Não sei lhe dizer o porquê, mas posso especular os dois lados da moeda. Primeiro, o professor não estudou de forma adequada, concisa, profunda. Sempre ouviu que podemos isolar as partes do peitoral mudando-se a angulação e aceitou isso como verdade absoluta, sem pensar. E porque ele não pensou isso na faculdade?

A matéria Cinesiologia começa com umas palavras difíceis, como sagital, transversal, subclávio, cintura escapular, articulação radioulnar, etc, e é pouco, ou quase nada, atraente pro pessoal que está mais interessado no jogo do seu time do coração ou se há promoção de cerveja no barzinho em frente a faculdade. Infelizmente, é essa a realidade que vivemos hoje em dia: há muito o que se aprender e poucos interessados no aprendizado, formando-se professores rasos no quesito conhecimento. Lembrem-se que o conhecimento não faz acepção de pessoas: está lá, esperando ser alcançado, independente de raça, cor ou credo.

Segundo, o aluno ouve o que quer ouvir. O professor lhe apresenta algo que, aparentemente, faz sentido e fica satisfeito com a resposta, pois era exatamente isso que ele tinha em mente, antes mesmo de sair de casa pra ir treinar. O professor apenas consolidou algo que ele já havia visto na internet ou escutado falar em outras épocas, na academia.
Há ainda, a parte mais esdrúxula de todas: o consenso por parte de pseudo-especialistas que ferem alguns princípios mecânicos da Cinesiologia, ou seja, aqueles camaradas que estão falando o que a maioria quer ouvir e se promovendo através de bizarrices motoras incompatíveis com a realidade anatômica. Posso citar o caso a seguir, fazendo um paralelo com esse pessoal:

“Um grupo de pesquisadores se reuniu pra realizar um experimento. Havia doutores em diversas áreas, inclusive alguns com prêmio Nobel. Dentre eles, endócrinos que escreviam durateston com M, outro que receitava stanozolol subgengival de morango. Havia vloggers de musculação, meninos propaganda de folhetos de suplementos, celebridades de facebook, professores de musculação meia-boca e outros. O fato é que todos eles eram muito conhecidos, cada qual em sua área. Através de Metodologia Científica em Pesquisas, realizaram um experimento único:


Treinaram uma centopeia para andar 10 cm sempre que algum dos pesquisadores tocava um sino. E assim foi …. tocava-se o sino e a centopeia andava. Alguns insistiram que 15 cm era melhor, pois iria definir a centopeia. Outros, diziam que deveria andar apenas 6 cm pra não catabolizar. Mas o número 10 foi escolhido por ser um número fácil de gravar e porque todos sabiam contar até 10, com exceção do professor de musculação, que levou sua calculadora.

Com o passar dos dias, arrancou-se um par de patas do miriápode, como parte do experimento. Tocou-se o sino e ela ainda andou 10 cm. Mais alguns dias e arrancou-se outro par de patas. Tocava-se o sino e a centopeia andava seus 10 cm.

Os dias foram passando, arrancando-se sempre um par de patas e tocando-se o sino. Até que, enfim, em um determinado momento, o último par de patas da centopeia foi arrancado. Tocou-se o sino e a centopeia não andou. Tocou-se o sino mais uma vez e nada.

Diante desse fato, as personalidades se reuniram e concluíram, em unânime consenso, que a centopeia possuía ouvidos nas patas, explicando-se o porquê dela não andar quando o sino tocou pela última vez.”

Prática é a realização de uma teoria concreta. Toda a teoria deve ser feita para poder ser posta em prática, e toda a prática deve obedecer a uma teoria.
Isso não quer dizer que uma seja mais importante que a outra. Não quer dizer que não devamos estudar e ficar só na prática. Nem quer dizer que não devemos criar teorias e nunca comprová-las.

Quer dizer apenas que enquanto existir um mané, existirá um malandro pra provar que o que ele fala está certo.

Cuidado, a musculação está cheia de “pesquisadores” como os citados, prontos pra provar pra você que a centopeia tem ouvidos nas patas.

Stay Strong!

Betão

Artigo original retirado do site Dicas de Musculação : clique aqui para ver o artigo original
Autor : Betão Marcatto