sexta-feira, 24 de junho de 2011

Musculação em xeque !

Você já teve a impressão que todo mundo está se desenvolvendo na academia, isto é, todo mundo está tendo ganhos de massa muscular e você não ? Já olhou pro lado e percebeu que o cara que está treinando, errado no seu conceito, está crescendo mesmo executando o movimento de forma duvidosa ? E aquele cara que insiste em fazer perna TODO SANTO DIA agora aparenta estar com os membros inferiores maiores ? Isso pra não citar o caboclo que mais parece o falecido Ayrton Senna treinando, tamanha é a velocidade com que executa o exercício ! E está crescendo !

 

Puxa vida ! Você treina certinho, treina o mesmo músculo a cada 48 horas, come de 3 em 3 horas, executa o movimento como manda a cartilha, contando os segundos entre as séries ... e nada ! Nada de crescer ! Então ... treinar certo ... está errado ? Deve esquecer, então, tudo o que já foi explicado pelo “profi” na academia e pelos livros de musculação que você já leu ? Não ! E ... sim !

Nem tudo que lemos ou vemos funciona de igual forma pra todo mundo. O que pode ser uma série excelente pra mim, pode ser um fracasso pra você e vice-versa. Minha dieta pode funcionar de acordo pra mim e ser um total fiasco pra você. Isso é a individualidade biológica. Existem, sim, alguns conceitos que servem pra quase todo mundo, mas isso não é uma regra. Dessa forma, existe, então, a possibilidade de o que você está fazendo atualmente não funcione pra você, nesse momento de sua vida. Você já tentou mudar o número de repetições, já treinou um grupo muscular por dia, dois grupos, aumentou a carga dos exercícios. Tudo isso já funcionou um dia e seria realmente lindo se continuasse funcionando sempre. Mas não é assim que acontece.

É nessa hora que você deve tentar algo inusitado, diferente. A maioria das teorias novas que vemos por aí (onde lê-se “teorias novas”, entende-se métodos que funcionam realmente e não essas baboseiras que inventam, como ABCD isolator, Poli-omelete Dance e aquela engenhoca que fica vibrando e balançando seu corpo enquanto você não faz absolutamente nada) funcionam porque quebram paradigmas já consagrados (vide a dieta do guerreiro, onde sou adepto e defensor da causa com unhas e dentes).

E digo mais ! Pode observar que, muitas vezes, a pessoa que “tenta esse algo novo” não é da área, é uma pessoa leiga, sem base na Educação Física. Ela chega na academia, percebe que o que lhe foi passado não funciona e começa a fazer o que seu coraçãozinho manda (estamos falando mais uma vez de instinto). Um bom exemplo disso, fora da musculação, é a teoria do Caos.



A teoria estabelece que uma pequena mudança ocorrida no início de um evento qualquer pode ter conseqüências desconhecidas no futuro. Isto é, se você realizar uma ação nesse exato momento, essa terá um resultado amanhã, embora desconhecido. O meteorologista norte-americano Edward Lorenz descobriu, no início da década de 1960, que acontecimentos simples tinham um comportamento tão desordenado quanto à vida. Ele chegou a essa conclusão após testar um programa de computador que simulava o movimento de massas de ar. 

Em busca de uma resposta Lorenz teclou um dos números que alimentavam os cálculos da máquina com algumas casas decimais a menos, na expectativa de que o resultado tivesse poucas mudanças. No entanto, a pequena alteração transformou completamente o padrão das massas de ar. Segundo ele seria como se o bater das asas de uma borboleta no Brasil causasse, tempos depois, um tornado no Texas. Fundamentado em seus estudos, ele formulou equações que demonstravam o “efeito borboleta”. Origina-se, assim, a Teoria do Caos. Alguns cientistas concluíram também que a mesma imprevisibilidade aparecia em quase tudo, do número de vezes que o olho pisca até a cotação da Bolsa de Valores.
Para reforçar essa teoria, na década de 1970 o matemático polonês Benoit Mandelbrot notou que as equações de Lorenz coincidiram com as que ele próprio havia feito quando desenvolveu os fractais (figuras geradas a partir de fórmulas que retratam matematicamente a geometria da natureza, como o relevo das montanhas, a forma de uma nuvem, etc.). A junção do experimento de Lorenz com a matemática de Mandelbrot indica que a Teoria do Caos está na essência de tudo, dando forma ao universo.

Mas quem iniciou a formulação da teoria não foi um matemático, foi um meteorologista. E o que quero dizer com isso ? Que muitas vezes, devemos observar o rapazinho que está treinando perna todos os dias e tendo bons resultados e deixar a arrogância de lado, de quem acha que já viu e já sabe de tudo na musculação.

Vou citar alguns exemplos de “choque” que você poderá dar no seu treino. Mas já vou avisando : inicie a leitura das linhas abaixo com a mente aberta, nada de “eu sei tudo” ou “isso não funciona”, porque “Não ! Você não sabe tudo” e “Sim ! Funciona, sim!”.

Primeiro estudo de caso : o menino Pedrinho e as pernas que não cresciam
Pedrinho sempre foi muito ligado aos esportes, gostava de artes marciais, cinema e história em quadrinhos. Na sua adolescência, sempre atrás das garotinhas no colégio, assistiu ao filme do Conan, do Rambo e percebeu que poderia investir nas gatas com mais facilidade se tivesse um bom físico. Começou a prática da musculação com a fichinha de treino pra lá e pra cá. Onde se via Pedrinho, lá estava a fichinha de treino. Chegou a plastificar a fichinha, fez alguns desenhos de super-heróis nela, colou adesivos irados para a época, como cachorrinhos de coleira de pregos, o gato Félix, Dick Vigarista da Corrida Maluca e o Garibaldo da Vila Sésamo. Percebeu, a tempo, que aquele papelzinho não servia pra nada, mudou de academia e, só então, começou a crescer, pois o professor, segundo ele, “manjava demais, bicho” (sempre que conta essa história, os olhos de Pedrinho brilham. Algumas más línguas, inclusive, juram que ao comentar sobre o primeiro professor, Pedrinho chega a derramar uma pequena lágrima, tamanha é a nostalgia que sente).

Bom, ele teve um desenvolvimento muscular excelente mas suas pernas sempre o incomodavam. Achava que esse grupo muscular o perseguia e que faltava algo. Pedrinho, como todo bom maromba, estudioso, dedicado, disciplinado, tomou uma decisão inusitada para a época : iria treinar agachamento livre todos os dias de treino. Isso mesmo que você acabou de ler. O que um professor tradicional/convencional diria a Pedrinho ? “Não pode, você vai queimar o músculo e, ao invés de crescer, vai diminuir”. Mas ele não se importaria com os comentários. Sempre muito decidido, começou a idéia já no dia seguinte. E pra surpresa dos incrédulos, suas pernas mudaram nitidamente. Existe certo ou errado nesse caso ? Você arriscaria treinar perna todos os dias ? Pedrinho treinou ... e Pedrinho cresceu !
OBS : Essa é uma história verídica.

Segundo estudo de caso : André Michalik e o Intensidade e Insanidade
André Michalik é um rapaz que morava em Campinas, apaixonado pela musculação, jogos de computadores e que gostava de comer pasta de dente escondido. Começou a treinar, deixou o cavanhaque crescer, comprou uma toquinha preta com o “A” do Animal Pack.
Anos depois, André queria dar um up em seus treinos e decidiu experimentar o método da Intensidade e Insanidade do Michalik. Ouviu todo o tipo de reprovação de vários experts no assunto : “Vai queimar”, “Vai diminuir”, “Isso aí é invenção”, “Ninguém treina assim”. Mas Dézinho, como é chamado nos lugares hardcore que freqüenta (como supermercados 24 horas, lojas de conveniência e paradas Disney vestido de Minnie), não se incomodou com os comentários invejosos da turminha.

Estudou o método e o colocou em prática. Quis dar um choque em seu corpo, fazê-lo sentir algo que nunca havia sentido antes (na musculação, claro). Mas o que os mais tradicionais gurus da musculação diriam do método ? Que era loucura. Que ele se arrependeria, pois a intensidade do treino promoveria o catabolismo muscular. Dedé Maromba (como é conhecido em Cosplay, festas à fantasia e na banca de jornais que compra exemplares da Turma da Mônica Jovem) deu de ombros, montou sua planilha de treino e colocou o método em prática, acreditando que esse protocolo lhe traria benefícios reais. E o físico de André nunca mais foi o mesmo.
OBS : Essa é uma história verídica.

Terceiro estudo de caso : Bethuz Maximus Decimus Meridius, o guerreiro
Bethuz Maximus Decimus Meridius, nos anos 90, decide treinar musculação depois de assistir o filme “Comando para matar” do mestre Arnold Schwarzenegger. Entra em uma academia pequena onde o instrutor só aparecia na academia depois das 19:00h. De manhã, a academia ficava vazia, sem professor, nem alunos, havia só a recepcionista, uma moça obesa de mais de 30 anos que ficava pintando as unhas o dia todo. Mas o único período em que Bethuz poderia treinar era de manhã, pois estava na escola no período vespertino e seu pai não o deixava sair pra rua depois das 20:00h. Então, a solução foi cabular um dia a aula e aparecer um dia à noite, na academia, e pegar a série com o “profi”. Chegou em casa por volta das 20:10h e seu pai já o esperava na frente de casa com o chinelo na mão. Mas eu não apanhei, digo, ele não apanhou.

Então, começou a treinar dia-sim, dia-não, durante dois anos com a mesma fichinha. Assim como Pedrinho, ele plastificou a série e a levava sempre que fosse treinar. Só não colocou os mesmos adesivos porque são de épocas diferentes : Bethuz muito mais novo, garotão ainda, descolado e gel no cabelo. Dois anos depois, sem resultado algum, Bethuz desiste de treinar musculação e se aventura no mundo das artes marciais. Inicia o treinamento do jiu-jitsu, onde aprende a disciplina necessária que iria lhe ajudar um tempo depois na musculação. Percebe que seus amiguinhos de treino do jiu estavam ficando fortes demais pra ele, ferindo-o por diversas vezes, fazendo dodói mesmo, e decide voltar a praticar a arte de puxar um ferro para se vingar dos mais fortinhos, pegando-os na saída da escola. De lá pra cá, diz a lenda que ganhou cerca de 70kg. Mas acabou ficando obesinho. Era um gordinho forte. Treinava arduamente. Adorava colocar muito peso em todos os exercícios e comia de 3 em 3 horas como dizia o “manual da maromba”. Um belo dia, decide entrar na dieta do guerreiro.

Ficar dezoito horas sem comer, apenas com vitamina C e glutamina. Depois disso, seis horas comendo o que você quiser, sem restrição de nutrientes, sem peso na consciência, sem se preocupar em contar calorias, sem se preocupar com NADA !



Treinar em jejum e permanecer nesse jejum por cerca de 3 horas depois do treino. E o que vem à sua mente, nesse momento ? “Vai virar um faquir !!” , “Vai catabolizar”, “Vai perder toda a massa muscular”. Claro, você leitor do blog, já matou a charada ... não é nada disso que falaram o que aconteceu. Bethuz perdeu até agora cerca de 18kg, está se sentindo maior, mais vascularizado e todos o estão achando um gatinho, apesar da idade. Está até pensando em participar do concurso Garoto Verão. Quer um choque maior que esse em seu  organismo ?

Além desses exemplos reais, posso citar alguns que tive o prazer de acompanhar. Todos casos não-fictícios, que irei exemplificar sem contar muita história.
- Um rapaz treinava peito todos os dias porque achava que seu peitoralzinho era muito pequeno. A “lógica” era que não funcionasse. Mas funcionou.

- Um outro rapaz treinava peito apenas uma vez por mês. Ele me disse que o avô dele fazia isso lá pros anos 70, época aqui no Brasil, que a musculação não era nada. Passou isso para o pai dele, que passou pra ele. Se eu fizer isso, terei o peitoral menor que o do seu Madruga do Chaves. Mas o rapaz aqui na academia, tinha o apelido de “pombo”, tamanho era o desenvolvimento peitoral do rapaz. Imagina treinar peito apenas 12 vezes no ano ? Genética ? Também !

- Ao entrar na academia, um rapaz ficou feliz por saber que o horário era livre, pois treinaria de manhã (das 6:00h as 07:00h), à tarde (14:00h as 15:00h) e à noite (21:00h as 22:00h). Treinava um grupo muscular em cada período. E teve resultados excelentes com esse treino “maluco”. Overtraining ? Nada !

- Conheci, também, um cidadão que executava os movimentos tão rápidos que eu tinha até medo de olhar. Apelidamos o cabra de “The Flash”. Parecia que em algum momento o cara iria desmaiar. Segundo ele, só assim pra sentir o músculo “queimar” e ele se sentia bem assim. E crescia ! Um professor que trabalhava aqui, uma vez, aproximou-se do aluno, que estava fazendo rosca alternada “a milhão” e comentou que a execução do movimento estava errada, ou seja, muito rápida, e que ele não ganharia nada com isso. O aluno prontamente respondeu : “Deveria ter me falado isso há 3 anos atrás quando eu estava com quase 15 kg a menos e 8cm de braço menor”. The Flash ficou ... o professor, não.



Bom, e o que eu quis mostrar com esse artigo ? Que muitas vezes a musculação é colocada em “xeque-mate”. Conceitos são postos a baixo, quebrados e, muitas vezes, jogados no lixo. A verdade de hoje é a incerteza de amanhã. Quantas vezes nos deparamos com notícias que ontem eram verdade mas que hoje não são mais ?

Na musculação não é diferente. Não existe o certo ou o errado. O errado é não tentar ...

Stay strong !

8 comentários:

  1. Pelo tempo que estou em academia a única coisa que vejo como errado e nunca vejo dar certo nos 80 a 90% dos cidadões que treinam é a questão de se matarem diariamente nos abdominais. Sabemos que a questão do pancípes tem trocentos fatores por trás para obter um resultado mais sólido. E o que vejo é um bando de frustrado pulando de academia para academia atrás da fórmula perfeita.

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  2. excelente post Betão,como dizem por ai,não existe a receita certa,por aki vejo a galera fazendo 3x8,4x8 e soh,se eu faço isso, rapidinho não sinto estimulo algum,por isso sempre mudo de serie

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  3. Caraca, nunca tinha parado pra pensar nisso... tem alguns caras aqui na academia que treinam de forma "diferente", tipo, bem lento ou com pausas no fim das fases concêntricas e excêntricas eheheh. Muito bom o post!

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  4. Realmente, não da para ficar presos a conceitos engessados. Acredito nesta ideia de realizar treinos que fogem aos padrões. Não ter medo de treinar! Parabéns pela matéria!

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