quarta-feira, 11 de maio de 2011

Fúria para treinar !!!

Queridos amigos. Como está o treino de vocês ? Conseguem dar tudo de si na sala de musculação ? Levantar mais pesos, colocar mais cargas, etc, etc ?
Se a resposta for um belo de um “Sim !”, vocês estão de parabéns. Mas se a resposta for “Estou desanimado” ou similares, está na hora de rever um conceito muito importante. Particularmente, acho que muitas vezes é o que falta pra um treino devastador. Muitos vão achar que é uma palavra feia, pecado, etc. Mas não é. Pra mim, é diferencial. É a diferença entre um treino morno, xoxo, sem graça e um treino dos infernos, motivador. E do que eu estou falando ??? Fúria !
Sim, isso mesmo que você acabou de ler. Não estou dizendo pra você quebrar tudo na academia, xingar o professor e os alunos que pegam menos peso que você (sim, porque se você xingar os que pegam MAIS peso que você corre o risco de levar uma sova). Estou me referindo a esse sentimento extremamente forte, capaz de te fazer chegar a um patamar que nunca esteve antes.
Alguns dos significados de fúria, segundo o dicionário web online : Grande exaltação colérica. Cólera, ira, raiva. Ímpeto de valentia, de delírio, de insânia. Entusiasmo. Pessoa excessivamente irritada, furiosa.
Imagine-se deitado no banco de supino, em sua academia, e de fundo a música que está tocando tem as seguintes falas “No dia em que eu saí de casa, minha mãe me disse, filho vem cá ... passou a mão em meus cabelos ...”
Não tenho nada contra música sertaneja mas convenhamos que pra treinar não dá muito certo. E porquê ? Porque não te deixa empolgado, certo ? Então vamos nos aprofundar um pouco mais no conceito de “empolgar”, recorrendo mais uma vez ao dicionário. Empolgação é o estado geral de assombro, de arrebato, de entusiasmo forte. Demonstração sem restrição das emoções e das idéias.


Emoção ! E cada emoção gerada, tem um caminho químico no cérebro que irá produzir reações no corpo e na ação externa. E qual seria a emoção ideal pra se demonstrar na hora do treino ? Medo ? Alegria ? Depressão ? Tristeza ? Não ! Fúria!
Para entender melhor onde quero chegar, vamos falar um pouco sobre emoções e como funcionam as reações químicas em nosso corpo ao senti-las.
Como todo bruto também ama, vou escrever sobre a emoção mais disputada e desejada de todas, o amor, para vocês entenderem o mecanismo que gera todo esse sentimento. O amor passa por diferentes fases e a ciência, até hoje, tenta explicar como se concretiza esse complexo sentimento. Até que a atração inicial vire afetividade e se transforme em amor verdadeiramente dito, o organismo sofre inúmeras reações químicas comandadas pelo cérebro. Um olhar, uma insinuação, um toque, uma palavra pronunciada pela pessoa amada se convertem na liberação de diversos hormônios. Ao identificar uma pessoa considerada atraente pelo córtex visual e córtex olfativo, o cérebro repassa a informação à toncila (antiga amídala), que aciona uma série de reações químicas. Os níveis de adrenalina e noradrenalina aumentam, causando palpitações, respiração ofegante, frio na barriga e moleza nas pernas (tudo coisa de macho). Se a atração é mútua, o cérebro libera maior quantidade de dopamina, substância responsável pelos circuitos cerebrais de bem-estar e prazer. Durante a fase de namoro, fica-se em um estado mental alterado por causa da redução do nível de serotonina, o que leva a pensamentos obsessivos e controladores sobre o ser amado, algo como não deixar seu namorado maromba andar de regata ou ficar furiosa por causa de recadinhos no Orkut dele, dizendo que ele é fortão, por exemplo. Caso o sentimento seja correspondido, tanto o homem quanto a mulher têm elevados os níveis de testosterona (Yes !!!), o que aumenta a libido. A partir disso, inicia-se uma nova série de alterações biológicas, que culmina com a relação sexual e pode levar à união dos dois pombinhos. 

Com o parceiro escolhido, o próximo passo é buscar o estreitamento de vínculos. Por meio da relação sexual, homem e mulher liberam no sangue substâncias do vínculo, como a oxitocina e a vasopressina (responsáveis pelo prazer e pelo vício, feminino e masculino, respectivamente). A cada contato e a cada conversa e ato de carinho com o parceiro, o corpo libera essas substâncias que estimulam a manutenção do vínculo, e assim, o amor vai evoluindo gradualmente para um sentimento de maior dependência do outro o que culmina na união, parceria e no famoso “e foram felizes para sempre”.
Assim como o amor, temos várias outras emoções, produzindo diferentes caminhos químicos, o mais importante é compreender, no mínimo, as nossas quatro emoções básicas:
1) medo (e dela partem emoções primárias de ameaça e ansiedade e emoções secundárias de vergonha, ciúme e inveja),
2) felicidade (e dela partem emoções primárias de contentamento e satisfação e emoções secundárias de amor e alegria);
3) raiva (e dela partem emoções primárias de irritação e frustração e emoções secundárias de fúria e desprezo),
4) tristeza (e dela partem emoções primárias de decepção e prostração e emoções secundárias de luto)
O que sentimos funciona como uma espécie de filtro para lidarmos com os estímulos tanto internos quanto externos. Emoções impõem limites e, por meio delas, avaliamos situações, regulamos , motivamos e coordenamos comportamentos. Isso se mostra indispensável no dia-a-dia, pois um processamento emocional prejudicado pode nos causar muitos problemas.
Quanto melhor perceber o que sentimos e suportá-lo, respeitando os nossos limites e os dos outros, mais fácil fica manter o equilíbrio interno e externo, ou seja, demonstramos a nossa maturidade ou educação emocional. O fato é que as emoções são indispensáveis para a interação e ação interpessoal: sem elas, os fundamentos para uma rotina bem-sucedida deixam de existir.





As emoções também são essenciais para a capacidade de aprendizagem implícita e inconsciente, assim como, para decisões sensatas. Em outras palavras, o gerenciamento das emoções é capacidade essencial para um equilíbrio interno e nas relações com os outros. Quanto mais uma pessoa olha para si buscando compreender os próprios mecanismos de funcionamento de suas emoções e responsabiliza-se pelo que está sentindo, ao invés, de culpar o ambiente ou pessoas, por situações que deflagram reações negativas, maior será o seu sentimento de satisfação em controlar suas emoções e seu sentimento de poder em não ser vulnerável ao outro, ou a estímulos externos. Aprender a entender nossas emoções, administrá-las com maestria de quem assume que a vida e tudo que advém dela é fruto de nossa produção interna, será a mais eficiente ferramenta de poder pessoal.
E a fúria ? A noção popular é a de que a fúria é uma emoção indesejável, mas controlável. O que muitos não entendem é que o cérebro já vem preparado para a raiva e a fúria. Há provas recentes, da neurociência, de que as pessoas compartilham esse circuito nervoso emocional com os outros animais. Por exemplo, pode-se induzir animais à fúria estimulando seletivamente a toncila (amídala), parte do sistema límbico, o centro da rede emocional do cérebro. Outro ponto interessante é que o comportamento impulsivo-agressivo também está estreitamente ligado à serotonina.
E o que quero com todo esse blá, blá, blá ?
Mostrar que a fúria é muito bem vinda no treino, desde que direcionada para os pesos. As reações químicas que ocorrem em um período de fúria podem te ajudar a erguer mais peso, quebrar um recorde ou fazer uma repetição a mais.
E como sentir essa fúria nos treinos ? 

Anos de experiência me deixam bem à vontade pra relatar o que vou relatar agora, foi através dessa fúria que consegui erguer mais pesos com o passar com anos, me desenvolver e participar de alguns campeonatos de supino aqui em Sampa.
Nossa fúria pode ser ativada por diversos meios. Eu gosto de treinar com o som bem alto, músicas pesadas e que estimulam o que eu chamo de “raiva boa”. Uma música do Metallica em particular me desperta algo fora do comum. O nome da música é St. Anger, que traduzindo para o português, significa Santa Raiva. Alguns trechos da música :

“Você libera toda sua raiva, você libera toda sua raiva
Foda-se tudo e sem arrependimentos
Foda-se tudo e sem nenhuma porra de arrependimento
Santa Raiva !

Eu sinto meu mundo tremer
Como um terremoto
É difícil de ver claramente
Sou eu mesmo? Será medo?
Estou louco de raiva de você

E eu quero que minha raiva seja saudável
E eu quero minha raiva só para mim
E eu preciso da minha raiva para não me controlar
Eu quero que minha raiva seja eu

E eu preciso libertar minha raiva
E eu preciso libertar minha raiva

Libertar minha raiva!

Eu sinto meu mundo tremer
Como um abalo sísmico
É difícil de ver claramente
Serei eu mesmo? Será medo?
Estou louco de raiva de você”
Sempre que quero quebrar alguma marca pessoal, seja na carga ou no número de repetições, ponho essa música pra tocar. Meu corpo e mente reagem de uma forma que pareço estar possuído por algum bárbaro medieval, tamanha é a fúria que toma conta de mim.
Existem outras formas de libertar a sua fúria no treinamento. Um parceiro de treino pode gritar no seu ouvido, desafiando-o a levantar mais peso, provocando-o e provocando sentimentos de fúria em você. Nessa hora, palavras podem te deixar imensamente nervoso e fazer você ultrapassar a barreira da insanidade. Um amigo que o conheça bem pode fazer toda a diferença nessa hora, pois ele sabe exatamente o que te deixa nervoso. Já ouvi caras gritando um com o outro de forma curiosa, mas com efeitos devastadores :

- “Vai, canalha! Levanta essa merda !”
- “Tá muito leve isso aí, seu frango !”
- “Vai, seu frango do caralho !”
- “Sua mulher tá na minha casa agora, fazendo o almoço!”
- “Go, man, go!”
- “Seu frouxo!”
- “Light weight, baby!”
Imagine como seria extremamente broxante se alguém gritasse assim no seu ouvido enquanto você treina :
“Vai, amigo. Depois vamos tomar uma gelada!”
“Se você quer sorrir, é com patati ... se você quer brincar, é com patatá!”
“O rebolation-tion-tion!”
“Tá bom, pode parar”
Não dá, né ? Por isso que eu sempre digo : Ambiente é tudo. Se você está em uma academia que não te provoca fúria pro treinamento, esqueça. Ou leve um mp3 ou arrume um parceiro de treino hardcore.

Uma outra forma nada ortodoxa de provocar a fúria é levar umas porradas. Isso mesmo. Quantas vezes você já viu alguém tomar um baita tapão na nuca ou nas costas antes de sentar em um banco de supino ou encaixar a barra no trapézio pra fazer agachamento livre? Isso provoca uma descarga de adrenalina que te auxiliará, e muito, na execução do movimento. Já tomei até cintadas em campeonatos de supino e fez uma senhora diferença. O tapa ou soco só não pode ser forte o suficiente pra te deixar nocauteado ou ser tão fraquinho que mais parece que alguém te fez um carinho. De resto, vale, sim, levar umas palmadas pra animar. Afinal “só um tapinha não dói ...”
A fúria nos treinos deve sempre prevalecer. Um treino perdido, sem sal, nunca será recuperado. O tempo não pára, apenas nos atropela todos os dias, passando e deixando suas marcas. E para garantir que seu treino seja furioso e não uma perda de tempo, da próxima vez que pisar na academia, lembre-se que esse sentimento, bem direcionado, ajuda a quebrar recordes. Focalize sua fúria, coloque seu mp3 no som máximo e deixe-se levar pela raiva construtiva gerada. Lembre-se que o Dr. Banner vira o Hulk quando está com raiva !

2 comentários:

  1. Falando no Hulk pessoal,vamos comercializar Whey Protein com leite da região da usina nuclear do Japaõ que está fazando radiação.
    Se os raios Gama fizeram maravilhas para aquele frango bunda mole do Bruce Benner,imagine pra nós!

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  2. whey com radiação é sacanagem KKKKKKKKKKK

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