sábado, 3 de outubro de 2015

Pais que fazem exercício têm filhos mais magros, diz estudo


A prática de atividade física regular pelas mães antes e durante a gestação e pelos pais no período da cópula pode tornar os filhos menos propensos a desenvolver obesidade na vida adulta.

A conclusão é de um estudo feito com camundongos na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), sob a coordenação do professor Ronaldo de Carvalho Araújo e com apoio da FAPESP.

Resultados preliminares foram apresentados no dia 10 de setembro, durante a 30ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), realizada na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

“Os resultados indicam que a prole de pais e de mães submetidos ao treinamento engorda menos que a de pais e mães sedentários quando alimentada com dieta hiperlipídica. Parece haver uma conjunção de fatores que faz com que a ingestão alimentar seja menor e o gasto calórico, maior”, contou Araújo em entrevista à Agência FAPESP.

O trabalho foi feito durante o doutorado dos alunos Frederick Wasinski e Rogério de Oliveira Batista. Também contou com a participação da estudante de mestrado Aline Midori Arakaki.

Em um primeiro experimento, foi avaliado apenas o impacto da prática de atividade física materna nos descendentes.

Durante quatro semanas, as fêmeas de camundongo foram habituadas a nadar durante uma hora por dia, cinco dias por semanas, com uma carga equivalente a 3% do peso corporal presa à cauda.

Após esse período, as fêmeas foram colocadas para cruzar e o treinamento foi mantido com a mesma intensidade durante a gravidez.

“Adotamos esse protocolo porque estudos anteriores já haviam mostrado que ele é eficiente para melhorar o funcionamento do sistema cardiovascular de camundongos”, contou Araújo.

No final da gestação, os cientistas observaram que as fêmeas treinadas apresentavam peso corporal semelhante ao das integrantes do grupo controle, que permaneceram sedentárias durante toda a gravidez.

No entanto, o porcentual de gordura observado nas mães atletas foi aproximadamente 20% menor. O número de filhotes nos dois grupos foi equivalente.

Já o peso dos filhotes ao nascer foi em média 7% menor no grupo das mães treinadas, ficando abaixo do valor considerado normal. “É uma diferença bastante significativa, se pensarmos que cada ninhada pode gerar de cinco a dez descendentes”, disse o pesquisador.

Análises feitas com a placenta indicaram que, nas mães treinadas, houve queda na expressão de um gene relacionado com o metabolismo energético, responsável pela produção do hormônio leptina (inibidor do apetite). Também estava menos expresso o gene do fator de crescimento placentário (PIGF, na sigla em inglês), uma proteína importante para a formação de novos vasos sanguíneos.

“Esses dados sugerem que os filhotes das mães que treinaram receberam um aporte de nutrientes menor ao longo da gestação, o que explicaria o baixo peso ao nascer. É possível que parte da energia que deveria estar indo para os bebês tenha sido usada na prática de exercícios, mas ainda estamos fazendo novas análises para termos certeza. Estamos olhando, entre outros fatores, o número e o tamanho dos vasos para avaliar em que medida o exercício físico interferiu na placenta”, disse Araújo.

Ao comparar os níveis de adiponectina e leptina no tecido adiposo das fêmeas, os pesquisadores não viram diferença significativa entre os dois grupos.

As mães treinadas, porém, apresentaram concentrações sanguíneas mais altas de corticosterona, o equivalente ao hormônio cortisol humano, o que sugere que não estavam bem adaptadas ao exercício. (...)

Fonte: Exame

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