quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Suplementos e raiva ??????

Retirado da Rev. educ. fis. UEM vol.21 no.4 Maringá out./dez. 2011

Consumo de suplementos proteicos e expressão da raiva em praticantes de musculação

João Francisco Severo SantosI; Felippe Henrique Santana MacielII; Daniel MenegettiIII
I Doutor. Professor do CEULP/ULBRA.
II
Acadêmico. Curso de Medicina, Universidade Federal do Tocantins.
III
Especialista em Educação Física, Associação educacional Luterana Bom Jesus/IELUSC.




RESUMO
O objetivo deste estudo foi verificar a relação entre o consumo de suplementos nutricionais hiperproteicos e a expressão da raiva entre praticantes de musculação. Foram selecionados 127 praticantes de musculação que relataram consumir suplementação proteica. Os instrumentos utilizados foram o Inventário de mensuração da expressão da raiva (STAXI) e um formulário de entrevista com questões sobre ingestão de alimentos ricos em proteínas na alimentação habitual e sobre o tipo, frequência de uso e volume de suplementação nutricional. Em média, os participantes tinham escores de raiva para fora e expressão da raiva acima dos valores médios da população brasileira e, reforçando isso, apresentavam escores de controle da raiva e raiva para dentro abaixo da média. Houve associação entre expressão da raiva e o volume semanal de ingestão proteica (dieta + suplementação). Os resultados sugerem que dietas hiperproteicas em praticantes de musculação podem elevar sua agressividade manifesta e dificultar o controle da expressão da raiva.

Introdução
Dentre os diversos fatores que afetam o treinamento de força, um dos mais frequentemente associados ao aumento de força muscular é o aspecto nutricional, mais especificamente, a ingestão de proteínas. As proteínas são moléculas formadas por longas cadeias lineares de seus elementos constitutivos próprios: os aminoácidos (LEMON, 1997;  WILLIAMS, 2002; KAZAPI; TRAMONTE, 2003).
De acordo com Brouns (2005), os aminoácidos livres ou em forma de proteínas específicas são os materiais orgânicos que desempenham o maior número de funções nas células de todos os seres vivos. Desse modo, formam parte da estrutura básica dos tecidos (músculos, tendões, pele, unhas, etc.) e também desempenham funções metabólicas e reguladoras (assimilação de nutrientes, transporte de oxigênio e de gorduras no sangue, inativação de materiais tóxicos ou perigosos, neurotransmissão, etc.).
O triptofano (TRP) é o aminoácido essencial menos abundante na dieta convencional. Ele é o elemento-chave para a síntese de um dos neurotransmissores mais importantes para o bom funcionamento cerebral: a serotonina (5-Hidroxitriptamina, 5-HT). O déficit de 5-HT está relacionado com uma série de problemas, como depressão, ansiedade, alcoolismo, insônia, transtorno obsessivo-compulsivo, esquizofrenia, anorexia e bulimia nervosa, transtornos impulsivo-agressivos, entre outros. Baixos níveis de 5-HT são frequentemente encontrados em pacientes depressivos e impulsivo-agressivos (SANDYK, 1992; WILLIAMS et al., 1999; KAPCZINSKI;QUEVEDO; IZQUIERDO, 2003; ROSSI; TIRAPEGUI, 2005). Além disso, estudos epidemiológicos revelam que há uma associação inversa entre agressividade e saúde, sendo que as pessoas impulsivo-agressivas têm três vezes mais probabilidade de sofrer um ataque cardíaco quando comparadas com pessoas menos agressivas (BALLONE, 2005; NEWSHOLME; BLOMSTRAND, 1995).
 A síntese de 5-HT é resultado de uma reação de carboxilização e hidroxilização do L-TRP catalisada por duas enzimas chamadas triptofano hidroxilase 1 e 2, sendo modulada, basicamente, por três fatores: quantidade de TRP total no plasma sanguíneo; transporte de TRP livre pela barreira hematoencefálica contra seus competidores (aminoácidos de cadeia ramificada e aromática); e a atividade da enzima TRP hidroxilase (ROSSI; CASTRO; TIRAPEGUI, 2003; ).
Existem evidências de que uma dieta hiperproteica pode reduzir a produção de serotonina cerebral, devido à maior competição do TRP com os aminoácidos de cadeia ramificada (valina, leucina e isoleucina) e aromáticos (tirosina e fenilanina) (ROSSI, 2001; ROSSI et al., 2003; ZHANG et al., 2004). Neste sentido, os frequentadores de academias de musculação podem ser especialmente vulneráveis a esse processo, devido ao aumento no consumo proteico, potencializado pela ingestão de suplementos nutricionais e incentivado pelo treinamento de força, o que, consequentemente, poderia elevar seus níveis de agressividade, em razão da maior dificuldade de controle dos sentimentos raivosos.
De acordo com Hokino e Casal (2001), a raiva é um estado emocional que abrange sentimentos que variam de leves aborrecimentos até a fúria e cólera. Nesse sentido, vários autores (BECKER JÚNIOR, 2000; HOKINO; CASAL, 2001; MENEZES JÚNIOR, 2004; BALLONE, 2005) admitem que a agressividade, a agressão e a violência são comportamentos destrutivos em relação a outras pessoas, a objetos ou até mesmo à própria pessoa, e, em última analise, são formas de expressão de raiva.
Van der Vegt et al. (2001) encontraram evidências de que níveis mais baixos de serotonina cerebral podem elevar a sensibilidade do receptor 5HT (1A). Esta variedade de receptor pós-sináptico é mais ativa em animais agressivos, o que está de acordo com a teoria de que baixos níveis de serotonina em seres humanos estão relacionados com queda da capacidade de controlar a expressão de sentimentos raivosos. Nesse sentido, Olivier e Van Oorschot (2005) afirmam que a teoria de que a atividade do sistema serotoninérgico está inversamente relacionada ao comportamento agressivo é atualmente obsoleta.
A revisão de diversos experimentos clínicos, inclusive em modelos animais, levou a concluir que não existe ainda um consenso entre os pesquisadores a respeito do papel da serotonina na modulação da agressividade, no entanto os estudos parecem mostrar que a deficiência de serotonina está relacionada com aumento dos níveis de expressão da raiva, enquanto o aumento dos níveis de serotonina não se reflete em diminuição dos níveis de raiva em sujeitos sem deficiência de serotonina (COCCARO, 1989; SIJBESMA et al., 1991; SANCHEZ et al., 1993; COLOGER-CLIFFORD et al., 1999; CHIAVEGATTO et al., 2001; MICZEK et al., 2002; OLIVER, 2004; OLIVER, 2005).
Com relação ao consumo de suplementos nutricionais, uma pesquisa feita por Pereira, Lajolo e Hirschbruch (2003) com frequentadores de academias de ginástica em São Paulo revelou que 23,9% consumiam algum tipo de suplemento nutricional, sendo que os mais consumidos foram os aminoácidos ou outros concentrados proteicos. Cerca de 38,9% dos entrevistados admitiram consumir suplementos proteicos, sendo que 90,3% desses o faziam diariamente.
Castillo (1999) analisou o conteúdo de aminoácidos em cinco suplementos nutricionais e os comparou com as recomendações nutricionais da Organização Mundial de Saúde. Este estudo revelou que tais suplementos apresentam doses elevadas de aminoácidos de cadeia ramificada e aromática, entre outros, ao passo que apresentam baixas doses de triptofano.
Com base no contexto apresentado acima, este estudo teve como objetivo verificar a relação entre o consumo de suplementos nutricionais hiperproteicos e a expressão da raiva entre praticantes de musculação.

METODOLOGIA
A amostra foi composta por 127 praticantes de musculação do sexo masculino de 11 academias das cidades de São Francisco do Sul e Joinville, no Estado de Santa Catarina, sendo 99 participantes de academias de Joinville e 28 participantes das academias de São Francisco do Sul. A faixa etária dos participantes da pesquisa situou-se entre 17 e 44 anos e estes foram selecionados de forma não probabilística intencional (THOMAS; NELSON, 2002).
Os principais critérios de inclusão no estudo foram: o consumo sistemático de suplementos nutricionais, a prática de musculação (mínimo seis meses) e sexo masculino. Foram excluídos do estudo os praticantes de musculação que: apenas experimentaram suplementos (poucas doses), haviam começado ou recomeçado a consumir suplementos havia menos de um mês, apresentavam uso esporádico de suplementos e iniciaram a prática de musculação menos de seis meses antes do estudo.
A coleta de dados foi realizada por estudantes de graduação em Educação Física da Associação Educacional Luterana Bom Jesus - IELUSC - e por estudantes de Engenharia de Produção da Universidade Estadual de Santa Catarina – UDESC, devidamente treinados em dois encontros de duas horas cada, durante uma semana. Além disso, para garantir níveis mais elevados de padronização, foi utilizado um manual de instruções básicas para orientar os procedimentos de entrevista. Também foram efetuadas visitas prévias para contatos com os proprietários e coordenadores das academias, a fim de obter permissão para a realização da pesquisa. A coleta de dados foi executada com a utilização de dois instrumentos distintos: um questionário autoaplicável e uma entrevista pré-estruturada.
O questionário foi composto por três blocos. O primeiro buscava coletar informações sobre características demográficas e econômicas como idade, escolaridade, condições de moradia, renda pessoal e o protocolo de classificação socioeconômica da Associação Nacional de Empresas de Pesquisas - ANEP; no segundo bloco havia um conjunto de perguntas sobre comportamentos de risco como tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, percepção de estresse e informações sobre a prática de musculação em termos de tempo de prática, frequência semanal e horas dedicadas a essa atividade por sessão; e o terceiro bloco era composto pelo Inventário de Avaliação da Raiva – STAXI.
De acordo com Marcelli (1998) e Becker Júnior (2000), a agressividade é uma característica da personalidade que pode se manifestar vinculada, de forma interdependente, ou a uma expressão emocional (reação de raiva) ou a uma conduta de ataque (violência). Neste estudo a agressividade foi definida operacionalmente por sua expressão emocional, para possibilitar sua mensuração transversal.
O teste de STAXI foi retirado do Manual do Inventário de Expressão de Raiva como Estado e Traço, de Charles D. Spielberger, o qual foi traduzido e padronizado para a população brasileira por Ângela Biaggio, servindo como parâmetro de comparação para os dados desta pesquisa. O STAXI é composto por 44 afirmações que são respondidas em escalas de quatro pontos, representando as percepções de frequência e concordância do indivíduo em relação às afirmações (SPIELBERGER; BIAGGIO, 1994). O protocolo forma seis escalas e duas subescalas de manifestação da raiva descritas no Quadro 1.


 A entrevista pré-estruturada foi executada com o auxílio de um instrumento de orientação composto por três blocos e seguiu os procedimentos adotados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE para levantamentos populacionais. No primeiro bloco foram solicitadas informações sobre os dados antropométricos do entrevistado; o segundo foi composto por questões retiradas do “Módulo Dieta”, do instrumento de coleta de dados validado para a realização do Inquérito Domiciliar sobre Comportamentos de Risco e Morbidade Referida de Agravos não Transmissíveis (INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER, 2005). As 29 questões utilizadas nessa pesquisa foram selecionadas para medir a frequência e volume diário de consumo de alimentos ricos em proteínas e outros nutrientes que podem reduzir a biodisponibilidade do triptofano no cérebro; e o terceiro bloco foi composto por questões relativas ao consumo de suplementos nutricionais no que se refere à frequência e volume desse consumo, além do tipo de suplemento ingerido. Os suplementos alimentares foram classificados em grupos de acordo com a definição descrita na literatura e explicitada no Quadro 2 (PORTER, 1995; ROCHA; PEREIRA, 1998).



Para estimar o consumo diário de macronutrientes foram utilizadas tabelas de composição dos alimentos, visando principalmente determinar a carga proteica de cada alimento relatado. Essas cargas foram multiplicadas pelo volume consumido de alimentos e divididas pelo peso corporal do sujeito. Esses cálculos foram realizados no programa Diet pro, versão 2.0. O consumo de esteroides anabolizantes não foi avaliado nesse estudo porque essas substâncias não são consideradas suplementos alimentares.
Em função das questões abordadas pelos instrumentos de pesquisa e do objetivo de diminuir ao máximo possíveis resistências, manteve-se o anonimato do formulário autoaplicado e da entrevista, não sendo solicitado ao praticante que se identificasse.  Tal procedimento foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do IELUSC, por meio do Parecer 017/2007.
Obtida a permissão dos participantes por meio da leitura e assinatura do consentimento livre e esclarecido – TCLE, as entrevistas, para cada um deles, foram realizadas em cada academia após a coleta dos formulários.
A estatística foi realizada por meio do programa SPSS 10.0 for Windows (SPSS©, EUA). Foram calculadas as medidas de tendência central e dispersão para a descrição das variáveis. O teste de correlação de Pearson foi utilizado para identificar possíveis associações entre variáveis, uma vez que o critério de normalidade destas foi confirmado pelo teste de Shapiro-Wilk (BARBETTA, 2003). Os resultados foram considerados estatisticamente significantes quando o nível de probabilidade era inferior ou igual a 5% (p≤0,05).

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Como esperado, os frequentadores de academias de musculação são, em geral, indivíduos de bom nível de escolaridade, com motivação e recursos para a prática de atividades físicas e para uma alimentação saudável e com acesso a informações sobre nutrição e atividade física. Observa-se ainda que, em sua maioria, eles são solteiros e possuem o curso superior incompleto (são estudantes universitários) e que a maior parte deles pertence às classes socioeconômicas A2 e B1; porém dez deles se recusaram a revelar a faixa de renda individual. Essas características são similares às descritas por Pereira, Lajolo e Hirschbruch (2003) entre frequentadores de academias de São Paulo. A Tabela 1 mostra as características sociodemográficas dos participantes do estudo. 



Observou-se que, em relação aos comportamentos de risco do estilo de vida individual como, por exemplo, o consumo de cigarros, citado na literatura como o principal fator de risco à saúde (MALCON; MENEZES; CHATKIN, 2003), de forma irregular, foi relatado por 11,54% dos participantes. Verificou-se que os fumantes participantes desta pesquisa são estudantes do Ensino Médio e Superior e este percentual está acima do encontrado por De Bem (2003) entre estudantes do Ensino Médio do Estado de Santa Catarina. Nesse estudo foram encontradas prevalências de tabagismo de 7,1% e 6,4% para estudantes trabalhadores e não trabalhadores, respectivamente.
No caso de abuso de álcool, os pontos de corte preconizados pelo U.S.Department of Health and Human Services (2000) são: ingestão de mais que cinco doses em uma ocasião e/ou o consumo de 14 doses ou mais durante a semana. Neste estudo, observou-se que 55,56% dos participantes relataram que costumam ingerir mais de cinco doses de bebidas alcoólicas ao menos uma vez por mês e 11,54% deles ingerem quatorze doses ou mais durante uma semana típica. Esses percentuais são superiores aos encontrados por De Bem (2003) e Barros (2001) entre estudantes do Ensino Médio (30,2%) e trabalhadores da indústria (48,1%) de Santa Catarina, respectivamente. Um percentual de 11,11% dos participantes declarou níveis excessivos de estresse para justificar o consumo excessivo de álcool ou o hábito de fumar irregularmente.


Apesar de terem uma média de 22,4 meses de prática da musculação, com uma frequência média de quatro treinos por semana, com duração média de 107,4 minutos cada, uma faixa média de idade relativamente baixa e uso de suplementação nutricional para ganho de massa muscular, os participantes apresentam características antropométricas próximas da média brasileira. A caracterização antropométrica e de treinamento dos participantes da pesquisa está mostrada na Tabela 2.
Com relação aos hábitos alimentares, procurou-se verificar se o consumo de proteínas estava de acordo com as recomendações da Food and Drug Administration (FDA). Para isso foi realizada, por meio da frequência e volume de ingestão de alimentos ricos em proteínas, a estimativa da ingestão proteica habitual sem suplementação. Observou-se que um consumo de 1,83±0,3 grama de proteína diária por quilo de peso corporal nos seguintes alimentos: carnes vermelhas e brancas, leite, produtos lácteos, frios e grãos. A ingestão de tais alimentos, nessa dosagem, configura uma dieta hiperproteica, pois encontra-se no limiar superior das recomendações da FDA para atletas, ou seja, entre 1,5 e 1,8 gramas por quilo de peso corporal (WILLIAMS, 2002; KAZAPI; TRAMONTE, 2003; BROUNS, 2005).
Dos 127 participantes da pesquisa das duas cidades, 89 consumiam mais de um tipo de suplemento nutricional regularmente e 22 deles ingeriam cinco tipos diferentes de suplementação. O uso de suplementos hiperproteicos foi relatado por 51,81% dos participantes, de forma que estes foram os mais utilizados entre esses praticantes de musculação. Entre os suplementos hiperproteicos, o mais consumido foi a whey protein, consumido por 25,02% dos participantes. Esses resultados são similares aos encontrados por Lobo; Pereira (2005) entre praticantes de musculação de Criciúma-SC, dentre os quais, 54,5% admitiram usar suplementos hiperproteicos. Outro estudo, realizado por Guerra et al. (2005), relatou os suplementos energéticos (55%) seguidos dos hiperproteicos (45%) como os mais consumidos entre atletas de remo em São Paulo. Essa pequena diferença pode ser fruto dos objetivos atléticos claramente distintos dos objetivos dos frequentadores de academias de musculação.
Os suplementos especiais da classe dos pró-hormonais e mistos foram consumidos por 14,81% e 35,26% dos participantes, respectivamente. Os pró-hormonais são popularmente conhecidos como anabolizantes naturais por, supostamente, serem precursores da testosterona e elevar a produção desse hormônio no organismo e, dessa forma, acelerar os resultados dos treinamentos contra resistências (CLARKSON, 1999; BROUNS, 2005). Os outros tipos de suplementos foram consumidos por 7,4% dos participantes desse estudo.


Entre os participantes deste estudo, o uso diário de suplementos foi relatado por 81,48% dos participantes. Isso pode ser fruto das instruções de utilização veiculadas nas embalagens desses produtos, as quais geralmente sugerem o consumo diário. Os suplementos hiperproteicos, além de mais comuns entre os participantes, também foram os mais utilizados em frequência diária (37,04%). Entre os entrevistados, 18,52% consomem hipercalóricos duas vezes por dia durante cinco dias por semana e 14,81% utilizam combinações de aminoácidos e hipercalóricos. Um estudo feito por Krumbach, Ellis e Driskell (1999), entre estudantes universitários praticantes de esportes nos EUA observou que 29,8% dos consumidores de suplementos os ingeriam cinco vezes ou mais por semana.
Nesse contexto, um dos possíveis efeitos do uso indiscriminado de suplementos nutricionais, os quais aumentam expressivamente a proporção dietética de aminoácidos, é a redução da produção de neurotransmissores responsáveis pelo controle dos comportamentos impulsivos e agressivos. De acordo com Prado-Lima (2009), são muitas as evidências que comprovam a relação direta entre a produção de serotonina, catecolaminas e hormônios anabolizantes e o aumento da frequência e intensidade dos comportamentos agressivos.
O comportamento agressivo é um dos fatores que mais têm gerado conflitos em nossa sociedade, devido a sua ambivalência em nossa cultura delineada pelo modelo de relações capitalistas. Por um lado, muitos o admiram, principalmente quando ele se apresenta como iniciativa e pró-atividade. Por outro, muitos o condenam e repudiam quando este se apresenta como transgressão de condutas socialmente aceitas, como, por exemplo, os diversos tipos de violências direcionadas contra as pessoas, os animais, o meio ambiente e o patrimônio (BECKER JÚNIOR, 2000; KAPCZINSKI; QUEVEDO; IZQUIERDO, 2003 ).
A diversidade das conceituações teóricas acerca da origem da agressividade, suas funções e modificabilidade de seu traço e a diferença existente entre essa conceituações resultam em confusão a respeito do que se deve ou não fazer quando nos encontramos diante de um comportamento agressivo que transgrida as convenções de boa sociabilidade (HOKINO; CASAL, 2001; SANZ MARTINEZ et al., 2008).
De acordo com Werner; Nixon (2005), o comportamento agressivo tem sido considerado um risco à saúde, pois estaria relacionado a diversos transtornos de adaptação ao ambiente interpessoal, os quais podem estar relacionados a níveis elevados de vulnerabilidade ao estresse. Essa situação é frequentemente associada a doenças cardiovasculares e mentais.
Pressa (2002) afirma que, na visão de Spielberger, a expressão da raiva é composta por três dimensões principais: raiva para fora, que envolve a expressão da raiva em relação a outras pessoas ou objetos do meio; raiva para dentro, que envolve a repressão dos sentimentos de raiva, ou seja, é dirigida para dentro da própria pessoa; e controle da raiva, que são as diferenças individuais no grau em que uma pessoa tenta controlar a expressão de raiva. A Tabela 4 apresenta os resultados brutos e padronizados pelo escore T dos participantes do estudo nas diferentes escalas de raiva.
Observa-se, por meio dos escores T ajustados, que os participantes apresentam níveis de raiva para dentro e controle da raiva abaixo da média da população brasileira, enquanto os níveis de raiva para fora e expressão da raiva apresentaram-se acima da média, com diferenças estatisticamente significativas em relação à população
Quanto ao nível das incidências, verificou-se que apenas 8,3% dos indivíduos apresentaram nível de agressividade considerado baixo, ou seja, marcaram pontuações entre 4,4 e 8,7 no escore bruto, enquanto 17,7% dos sujeitos apresentaram nível de agressividade considerado médio, com pontuações até 13,1, e 74% apresentaram altas pontuações de agressividade. Esses resultados mostram que, embora a prática da musculação não esteja envolvida com comportamentos agressivos, como as artes marciais, os escores de agressividade de seus praticantes são qualitativamente piores que os de lutadores (HOKINO; CASAL, 2001; MENEZES JÚNIOR, 2004).
No estudo realizado por Menezes Júnior (2004) com 24 praticantes de jiu-jitsu de três academias de Florianópolis - SC não foram encontrados escores acima de 13,1 pontos no STAXI, e a média de todas as dimensões da agressividade foi classificada como inferior à média populacional.
Autores citados por Becker (2000) afirmam que a prática de atividades físicas eleva a autoestima, o autoconceito e a autoconfiança de seus praticantes. Tais resultados podem estar relacionados com a maior capacidade de expressar os sentimentos, o que reduz os níveis de agressividade intrapunida. Como os participantes desse estudo possuem um bom tempo de treinamento, possivelmente apresentem menor tendência a canalizar para si mesmos os sentimentos de raiva e hostilidade.
De acordo com Diamond e Hicks (2005), e Sanz Martinez (2008), as diferentes formas de expressão da raiva parecem ser influenciadas por fatores relacionados às preferências dietéticas e à frequência de consumo de certos alimentos que podem reduzir estoques orgânicos de triptofano, afetando assim a produção de serotonina. Embora não haja estudos relacionando alimentos específicos às formas de expressão da raiva em humanos, muitos modelos animais têm confirmado essa hipótese. Além disso, estudos clínicos de observação têm mostrado que alterações na dieta de pacientes afetam substancialmente o humor destes.
Alvarenga (2008) relata um estudo recentemente publicado que mostrou a relação entre a queda no nível de serotonina, decorrente da redução dietética de triptofano, e o impulso agressivo. Os pesquisadores controlaram as dietas dos participantes e estes foram divididos em dois grupos. Um grupo foi submetido a uma dieta pobre em triptofano, enquanto o outro manteve uma dieta com os níveis recomendados desse aminoácido. Os resultados do trabalho mostraram que os participantes cuja dieta era pobre em triptofano apresentaram menores níveis de serotonina e tiveram mais dificuldades em controlar suas reações agressivas.
A Tabela 5 apresenta os coeficientes de correlação entre os níveis de raiva das diferentes escalas, a frequência semanal de suplementos nutricionais ingeridos e o volume semanal de ingestão proteica em termos de dieta habitual e suplementar. 


Na Tabela 5 constata-se que ocorrem correlações estatisticamente significativas entre o volume total de ingestão proteica semanal (dieta + suplementação) e três formas de manifestação da raiva.  A raiva para fora e a expressão da raiva apresentaram correlações positivas com a frequência total de ingestão proteica semanal, ao passo que, o controle da raiva apresentou correlação negativa com essa variável. Isso pode ser um indício de que sujeitos com alimentação hiperproteica têm maiores dificuldades em lidar com seus sentimentos raivosos e apresentam maior tendência a perder o controle em situações estressantes.
Diversas pesquisas mostram que a raiva aumenta o risco de infarto e de derrame, portanto é bom expressá-la de forma moderada (STEWART et al., 2007; KAPCZINSKI; QUEVEDO; IZQUIERDO, 2003; SUAREZ, 2003; BALLONE, 2005). Harburg (2003) realizou uma pesquisa prospectiva com 696 pacientes de 1971 a 1988 e tentou verificar quais eram as causas comportamentais que levavam esses pacientes a óbito por afecções cardiovasculares. Ele verificou que o risco de óbito por afecções cardiovasculares entre os pacientes que expressavam moderadamente sua raiva era 44% menor quando comparado com o de pacientes que pouco expressavam sua raiva. Esse resultado apresentou consistência, pois fatores de confusão como questões de saúde, uso de psicotrópicos, desemprego e integração social foram devidamente controlados.
Muitos estudos revelam evidências de que o triptofano, precursor do neurotransmissor serotonina, é o aminoácido menos abundante na dieta típica dos ocidentais (SANDYK, 1992; CASTILLO, 1999; YOUNG et al., 2002). A deficiência de triptofano ou o aumento dos aminoácidos que competem com ele para cruzar a barreira hematoencefálica parecemser um fator crucial para a queda dos níveis de serotonina cerebral. Dietas hiperproteicas parecem reduzir a serotonina cerebral, o que pode desencadear depressão e comportamentos impulsivo-agressivos (SCHMECK et al., 2002; YOUNG et al., 2002; HUGHES et al., 2003).
Outros estudos evidenciam que uma dieta hiperproteica pode, também, elevar a biodisponibilidade da tirosina, um aminoácido precursor das catecolaminas, principalmente do neurotransmissor dopamina. A elevação dos níveis de dopamina cerebral é um fator ativador do sistema dopaminérgico e inibidor do sistema serotoninérgico. Essa combinação tem sido associada com comportamentos de agressividade e hostilidade (HARMER et al., 2001; GIJSMAN et al., 2002; KAPCZINSKI; QUEVEDO; IZQUIERDO, 2003; MONTGOMERY et al., 2003; STEWART et al., 2007).
Nenhuma das possíveis variáveis de confusão desse estudo (estado civil, classe socioeconômica, escolaridade, faixa de renda, estresse, consumo de tabaco e álcool), apresentou associação significativa com algum escore de raiva. Esses resultados reforçam e associação entre a ingestão acentuada de proteína e a expressão da raiva para fora.

CONCLUSÃO
Os praticantes de musculação que fazem uso frequente de suplementos nutricionais hiperproteicos não necessitam de tais suplementos, pois suas dietas habituais já apresentam elevada ingestão proteica, inclusive acima dos valores máximos recomendados pela literatura.
Os níveis de raiva para fora e de expressão da raiva apresentaram escores acima dos níveis médios da população brasileira. Esses mesmos sujeitos apresentam escores de controle dos sentimentos raivosos inferiores aos níveis médios da população brasileira.
Os níveis de raiva apresentaram baixa correlação com a frequência semanal de uso de suplementos hiperproteicos, mas apresentaram correlações significativas com o volume total de ingestão proteica semanal. Como esta última variável é o somatório da ingestão proteica habitual e do consumo de suplementos, conclui-se que há indícios de que dietas hiperproteicas estão associadas ao aumento da manifestação da raiva direcionada para fora, ou seja, em direção a objetos e/ou outras pessoas.
Os dados também mostram associações estatisticamente significativas entre o volume total de ingestão proteica semanal e a dificuldade de manter o controle da raiva, qualidade psicológica essencial para prevenção de comportamentos hostis e violentos, mostrando uma relação linear negativa, ou seja, quanto maior a ingestão proteica, menor é a capacidade de controle da raiva.
De modo geral, os usuários de suplementos nutricionais parecem estar mal informados sobre o conteúdo dos suplementos e as consequências de sua ingestão excessiva. Muitos desses produtos ainda não têm seus efeitos testados cientificamente, de forma que suas relações custo/benefícios ainda não estão esclarecidas, principalmente pelo seu uso em longo prazo. Adicionalmente, sua venda e sua recomendação são feitas por profissionais não especializados e muitas vezes eles são receitados indiscriminadamente pelos instrutores de musculação, sem considerar a individualidade biológica do cliente e os possíveis riscos à sua saúde; por isso o consumo de suplementos de maneira inadvertida poderá representar um problema de saúde pública.
Sugere-se que mais estudos a respeito da influência dos suplementos hiperproteicos na saúde e funcionamento cerebral de pessoas fisicamente ativas sejam realizados, preferencialmente com metodologias mais sofisticadas e abrangentes, uma vez que a raiva e a depressão estão intimamente ligadas às doenças crônico-degenerativas e, comprovadamente, afetam os relacionamentos interpessoais e a qualidade de vida dos indivíduos.


Referências
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Um comentário:

  1. Betão, isso de proteína demais causar essas emoções eu já desconfiava mas não sabia que tinha estudos comprovados. Mas velho, na boa, desculpa ser franco assim. E a bomba? Os esteroides anabolizantes? Sou acadêmico de medicina não sou formado. Mas vejo pessoas que praticam atividades físicas só com suplementos bem mas saudáveis que os bombados. Especialmente se praticam atividades aeróbicas. Ciclismo, natação, corrida. Estas sim diminuem consideravelmente a ansiedade e até a agressividade. Vocês devem estar em São Paulo o que péssimo tanto para praticar esses esportes tanto pelo stress do caos da cidade. Mas academias de natação devem ter por aí. E seriam ótima pedida especialmente as de artes marciais combinadas com a musculação. O Jiu Jitsu brasileiro puro é ótimo. Mas pra relaxar mesmo tanto o físico quanto o emocional, o psicológico e principalmente o espiritual considerem também o Aikido. Eu estou gordo pra cacete sou até suspeito para falar qualquer coisa. Mas velho, se fez bem pra mim, o que não faria por vocês? Eu vejo na faculdade muita gente malhada e bombada, futuros médicos. Sinceramente eu jamais me bombaria. Tenho uma estrutura corporal privilegiada apesar do peso. Meu metabolismo é ótimo. Meus problemas são tempo, família e dieta. E eu se fizesse isso de me bombar um dia mesmo com acompanhamento médico, estaria saindo da rabuda da gordura para entrar em outra pior. Que no final me mataria pelos mesmos motivos da obesidade. Até mesmo um ciclo de esteroides já é capaz de desregular nosso metabolismo. Sem contar em complicações bem mais sérias e irreversíveis: Dislipidemias, aterogênese, infartos, AVC. Necessidade de transplante de órgãos. Mas aí vem o problema: Quem conseguiu um bom resultado quer ir sempre em frente, sempre além. Pelo prazer da conquista pelo fato de sermos homens e querermos sempre mais. Nos afirmar com nossos resultados com nossas conquistas. Para nos impor perante elas ou até perante nós mesmos. Eu pergunto será que vale a pena? Vivermos menos e sem saúde no futuro? Especialmente se for para aparecer para elas? Elas merecem isso? Não estamos repetindo os erros que nossos ancestrais guerreiros de morrerem, de duelarem por alguém ou por alguma causa mesmo sem percebermos? Sem puxar armas ou espadas, mas nos matando por dentro? Eu acho que vale a pena pensarmos a respeito. Por favor suprimam meu nome, e-mail e iniciais também (se puderem) nos comentários e respostas. Abraços...

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